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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Documentário discute parto normal, cesárea e nascimento 'humanizado'


Cena do documentário 'O renascimento do parto', que estreia nesta sexta em SP (Foto: Divulgação)
Cena do documentário 'O renascimento do parto', que estreia nesta sexta-feira em SP (Foto: Divulgação)


O aumento no número de cesarianas no Brasil, que já chegam a 52% do total de nascimentos, e os benefícios do parto normal em casa ou no hospital são temas do documentário "O renascimento do parto", de Érica de Paula e Eduardo Chauvet, cuja estreia no país ocorre a partir desta sexta-feira (9).

O aumento no número de cesarianas no Brasil, que já chegam a 52% do total de nascimentos, e os benefícios do parto normal em casa ou no hospital são temas do documentário "O renascimento do parto", de Érica de Paula e Eduardo Chauvet, cuja estreia no país ocorre a partir desta sexta-feira (9).

Além disso, o filme aponta os motivos diversos que teriam levado a um excesso de indicações de cesarianas, a não necessidade de tantas intervenções no bebê logo após o nascimento, a frequente falta de contato imediato dos filhos com as mães, nos dois tipos de partos, e o aumento de crianças prematuras ou com complicações que demandam uma UTI neonatal depois de uma cesárea, ligadas ao fato de que a criança ainda não estava "pronta" para nascer.
De acordo com Érica de Paula, que fez a pesquisa e o roteiro do documentário, ele não mostra o "outro lado", das vantagens da cesariana, porque "a visão contrária é o que a gente vê 24 horas por dia, sete dias por semana. Os 90 minutos que tínhamos para fazer o filme foram usados justamente para mostrar esse outro lado".
Parto na banheira é cena do filme (Foto: Divulgação)Parto em banheira é outra cena (Foto: Divulgação)
Cesáreas 'limitadas' a 15%
Segundo a obstetriz (profissional da saúde que atua em partos) Ana Cristina Duarte, que participou do documentário, "o que se calcula é que não mais do que 15% das mulheres têm problemas de saúde ou da dinâmica do parto que necessite algum tipo de intervenção". O problema, de acordo com os especialistas, é que os casos complicados são muito marcantes.

Essa também é a porcentagem recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o limite máximo ideal de cesarianas em cada país. Mas em hospitais privados do Brasil, por exemplo, o número de cirurgias desse tipo chega a 90%, principalmente nas regiões Sul e Sudeste – o que vem sendo chamado por especialistas de "epidemia oculta" entre as classes sociais mais altas.
"Não é possível que quase 100% das mulheres tenham defeitos, problemas, e não possam ter bebês de forma natural. Nossos corpos não foram feitos para isso?", destaca Ana Cristina.
A obstetra Fernanda Macedo, outra entrevistada de "O renascimento do parto", acrescenta: "A cesariana é uma cirurgia maravilhosa que salva vidas todos os dias, mas ela não é para ser feita em todas as pacientes, de uma maneira desnecessária, fora do trabalho de parto. Quando mal indicada, põe o bebê em três vezes mais risco que o normal. (...) Hoje em dia, o parto no Brasil passou a ser um ato cirúrgico, em vez de um evento fisiológico".
A visão contrária é o que a gente vê 24 horas por dia, sete dias por semana. Os 90 minutos que tínhamos para fazer o filme foram usados justamente para mostrar esse outro lado"
Érica de Paula,
roteirista do filme
"O paciente tem todo aquele ranço cultural de achar que o parto cesáreo é mais controlado, menos arriscado, que não tem risco nenhum, que o bebê dele vai ser salvo. (...) O médico, por sua vez, apesar de ter aprendido que o parto normal é seguro, que é bom para mãe e para o bebê, acaba acreditando um pouco nessa falsa verdade de que o parto cesáreo é mais seguro", diz Fernanda.
Para o obstetra Paulo Nicolau, que não participou do filme, mas compareceu à pré-estreia em São Paulo na segunda-feira (5), muitas pacientes acham "chique" fazer cesariana e logo pedem para o médico.
"O segundo problema é que a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) não regula essa situação, e o médico recebe cerca de R$ 200, R$ 300 por parto. O terceiro ponto é que, se der algum problema na criança – como paralisia –, e o caso for para a Justiça, a primeira coisa que o juiz vai perguntar é por que o médico não fez uma cesariana", enumera Nicolau. Segundo ele, os médicos atualmente estão desaprendendo a fazer parto normal, e a maioria já não sabe.
No filme, a obstetra Melania Amorim afirma que, "quando se entrevistam mulheres no pós-parto, elas muitas vezes acreditam que houve uma indicação real de cesariana. (Mas) Quando se entrevistam os médicos, eles vão atribuir a culpa da cesariana a uma decisão da mulher".
Cena do documentário 'O renascimento do parto', que estreia nesta sexta em SP (Foto: Divulgação)
Filme debate parto natural e cesárea, e nascimento

ocorrido no hospital ou em casa (Foto: Divulgação)
'Motivos' para o parto não ser vaginal
De acordo com a obstetriz Ana Cristina Duarte, quase tudo hoje em dia se tornou motivo para uma indicação de cesárea, muitas vezes sem necessidade.

"São dezenas de motivos: pressão alta, cordão umbilical enrolado no pescoço, falta de dilatação, bebê grande ou pequeno demais, mãe velha (acima de 30 ou 35 anos) ou jovem demais, gorda ou magra demais, sedentária, diabética. Também dizem que o parto normal dói demais, que a mulher pode ficar larga", diz Ana Cristina.
Segundo o obstetra Ricardo Chaves, muitas cesáreas são feitas por conveniência médica – já que são agendadas com antecedência e duram de 15 a 20 minutos, o que permite ao profissional voltar para o consultório, em vez de passar até 12 horas acompanhando um trabalho de parto.
"A gente tem muito mais internações em UTIs nas vésperas de grandes feriados, (...) porque evidentemente (os médicos) querem passar o feriado sem o susto de terem que sair de casa para atender um parto, mas isso faz parte da nossa escolha", diz Chaves.
A obstetra Fernanda Macedo complementa: "O valor que o plano paga não compensa você desmarcar um consultório inteiro. Você ganha mais numa tarde em consultório do que num parto. O plano de saúde, os hospitais não têm interesse na gestante de parto normal".
A mulher precisa confiar no próprio corpo e no poder que tem. Não somos frágeis e incapazes"
Ana Paula Caldas,
pediatra e neonatologista
'Cabeça moderna atrapalha'
Na opinião da antropóloga e parteira mexicana Naoli Vinaver, que também fala no filme, "a cabeça da mulher moderna atrapalha muito", pois muitas são inseguras e se acham incapazes de dar à luz sozinhas.

Segundo a obstetriz Ana Cristina Duarte, a maioria das mães diz no início da gravidez que quer parto normal, mas muda de opinião ao longo do pré-natal. "Minam a coragem da mulher", acredita.
A pediatra e neonatologista Ana Paula Caldas, que participou de um debate sobre o documentário após a pré-estreia na capital paulista, destacou que "a mulher precisa confiar no próprio corpo e no poder que tem. Não somos frágeis e incapazes".
Para ela, ter um médico na sala de parto é o mesmo que ter um pediatra como baby-sitter. "É uma formação muito cara para atender a uma coisa tão básica, que é o parto. O caminho é tirar isso da mão do médico e deixar para as parteiras e obstetrizes", avalia.
Uma das mães que deram depoimento no filme é a nutricionista Andréa Santa Rosa Garcia, mulher do ator Márcio Garcia – que têm três filhos: o primeiro nascido por cesárea, a segunda por parto normal no hospital e o terceiro também natural, mas em casa.
"É muito legal você encarar a gestação não como um estado de alerta, de preocupação, de que pode dar alguma coisa errada, e sim 'Olha que bacana, ela está gerando uma vida, é uma gravida linda, olha que legal, que bênção'", diz Andréa no filme.
Ela também participou do programa Encontro com Fátima Bernardes desta quarta-feira (7), quando lembrou de sua segunda experiência como mãe. Ao engravidar de Nina, ela quis ter parto normal, mas sua médica disse que "uma vez cesárea, sempre cesárea".
"Eu olhei pra ela, tomei um susto e falei: 'Ué, mas eu não vou poder passar por essa experiência?' Ela não levou em consideração que eu sou jovem, saudável, me alimento bem, faço atividade física, ioga, me preparo, respiração, tudo isso. Então tive que ir para São Paulo fazer o parto normal", contou.
A roteirista Érica de Paula compara o parto normal a escalar uma montanha, e o pré-natal ao preparo da mochila. "Se você tem cãibra, para, respira. Aí pensa: se já chegou até aí, você transcende, supera o limite, dá conta. É diferente do que ir de helicóptero para ver a vista, você a alcançou", diz.
O nascimento humano conjuga no mesmo momento os três eventos mais temidos da humanidade: vida, morte e sexualidade"
Ricardo Jones,
obstetra
Interação mãe-filho e ritualização
O documentário também aborda questões como a importância de um contato íntimo entre a mãe e o bebê assim que ele nasce, em vez de a criança ser levada primeiro para fazer procedimentos médicos que poderiam esperar, na visão dos especialistas entrevistados. Além disso, eles acreditam que intervir demais pode trazer mais problemas que soluções.
"Geralmente, não é para fazer nada com o bebê, são cacoetes de procedimentos, uma esteira de linha de produção. A criança não precisa ser pesada na hora, não vai diminuir ou aumentar de tamanho nas próximas duas horas. O bebê precisa de vínculo, tem muita oxitocina e precisa se apaixonar pela mãe – e vice-versa", analisou a pediatra e neonatologista Ana Paula Caldas após a pré-estreia.
A ginecologista e obstetra Carla Andreucci, que falou no debate em São Paulo, acredita que há um manejo excessivo dos bebês, com colírio nos olhos, antisséptico nos genitais, aspiração no nariz e sonda retal – em vez de esperar a primeira evacuação para ver se está tudo bem com a criança.  "A ausculta do coração, (a verificação) dos sinais vitais, tudo isso pode ser feito no colo da mãe", diz.
A ausculta do coração, (a verificação) dos sinais vitais, tudo isso pode ser feito no colo da mãe"
Carla Andreucci,
ginecologista e obstetra
Parto em casa
O documentário aborda, ainda, a vontade de muitas mulheres terem parto normal e longe do ambiente hospitalar. Segundo o filme, 1% dos partos realizados atualmente no Brasil ocorre em casa. E os especialistas ouvidos reforçam que esses casos devem ser gestações de baixo risco e que, ao desconfiar de algum problema, a paciente deve ser encaminhada para um hospital.
"O lugar mais adequado para a mulher ter seu filho é, segundo a OMS, onde ela se sente segura. Para muitas mulheres, o lugar mais seguro é a sua casa; para outras, é uma casa de parto; e para outras vai continuar sendo o hospital. E todas elas têm que ser contempladas pelo nosso sistema de saúde", avalia o obstetra Ricardo Jones.
Segundo a antropóloga Robbie Davis-Floyd, 20% dos partos na Holanda em 2011 foram domiciliares, e a taxa de cesarianas no país é de 15%.
"No mundo, o ideal seriam as parteiras profissionais atenderem de 70% a 80% dos partos, e os obstetras, de 20% a 30%", afirma Robbie.
A OMS considera profissionais habilitados para assistência ao parto os médicos obstetras, os médicos da família, as enfermeiras obstetras e as parteiras formadas ou obstetrizes, enumera a obstetra Melania Amorim.
No mundo, o ideal seriam as parteiras profissionais atenderem de 70% a 80% dos partos, e os obstetras, de 20% a 30%"
Robbie Davis-Floyd,
antropóloga
Soluções possíveis
Para Érica de Paula, que realizou o filme ao lado do marido, Eduardo Chauvet, e atua como doula (assistente de parto) desde 2009, é difícil falar em uma única solução para o problema do excesso de cesarianas e da falta de humanização nos nascimentos, pois ele tem muitas causas.
"As mulheres precisam se informar mais, aumentar a demanda pelo parto normal, os profissionais devem ter uma visão mais fisiológica do processo, e o governo e as agências reguladoras precisam fazer pressão para que haja uma indicação real de cesariana", diz Érica.
A ginecologista e obstetra Carla Andreucci concorda: "A mudança das mulheres é mais fácil do que mudar os profissionais, que já estão inseridos no mercado".


sexta-feira, 14 de junho de 2013

Relato do Parto Nena (LINDO!)

Hoje vim contar uma linda história, um relato de parto de uma gestação que acompanhei desde o início. 

Sempre profetizo que a maravilhosa experiência que vivi em minhas gestações, partos e criação dos meus filhos possa ser vivida também por outras mulheres que assim como eu creem no poder e provisão de Deus. E essa história é de um casal que acreditou, de uma jovem guerreira que tem provado da fidelidade do Senhor, e mostrado que o Reino de Deus pode estar em nossos lares assim como no céu.

Rosangela, Pacheco e Abigail, para vocês com carinho:

Era uma vez um lindo casal, já casados ha um bom tempo e sem filhos.

Eles queriam muito iniciar a família, mas os medos e as incertezas eram muitos... Afinal hoje em dia não está fácil para ninguém, são contas para pagar e compromissos financeiros. Mas eles receberam uma palavra de que Deus sustentaria aquela família com toda a provisão necessária!

Quando entendemos que somos representantes de Deus para amar e cuidar dos filhos que Ele quer nos dar, temos fé então, para crer que o Senhor é o provedor de cada vida e de cada família que obedece a esse princípio. Eles creram em seus profetas, e tudo começou a acontecer!

Aquela jovem esposa se dispôs diante de Deus a ser mãe, e o cuidado que dedicaria aos seus filhos seria consagrado a Deus como um ministério em tempo integral. 

É uma questão de fé deixar que Deus sustente seu ministério materno, Ele não dá uma visão, ou uma missão sem dar a provisão. Deus está procurando mulheres que querem assumir esse Ministério! Ela correspondeu com o chamado de Deus, deixou tudo pra trás e assumiu seu ministério materno!

“Nunca vencemos a Deus no dar”, e pouco tempo depois de dado o primeiro passo de fé, veio à resposta de Deus em um teste de laboratório que trazia a notícia: Positivo!

A gestação foi abençoada, e com a barriguinha que ia crescendo ia chegando também a provisão de Deus, trazendo de tantas maneiras tudo o que seria necessário para a chegada daquele bebê. 

Finalmente os nove meses se completaram e às 6h da manhã do dia 04 de junho de 2013, atendi ao telefone, era a Rosangela (Nena) avisando que as contrações haviam começado às 3h da madrugada ainda irregulares, mas não haviam parado até aquele horário. Peguei minha “bolsa de doula” que tinha tudo o que pudesse ajudar a relaxar e aliviar as dores dela desde chocolate, massageador, cd´s, aromatizador de ambiente... e por aí vai... e saí correndo para a casa da gravidinha. Com o coração feliz eu sabia: ”hoje é dia de festa!!” 

Cheguei lá e comecei a cronometrar as contrações, os paizinhos de primeira viagem estavam bem, e muito felizes, logo começamos a dar risada entre uma contração e outra, a felicidade estava no ar!




Só para informar, esse sorriso todo foi durante uma contração, hehe! 


Entre uma contração e outra, ela aproveitou para se embelezar e estar bem linda para a chegada da Abigail


Nada melhor do que estar no conforto do lar, desfrutando de paz e tranquilidade durante o trabalho de parto.


...O tempo ia passando e ela estava radiante, pois sabia que a cada contração se aproximava a hora de ver o rostinho de seu bebê!!


O corpo é quem comanda o trabalho de parto. Tem hora que o corpo pede pra relaxar, na cama ou no chuveiro... e tem hora que o corpo pede pra caminhar (ajuda na dilatação e no alívio das dores) e com ela foi assim, correspondendo com todas as fases do TP (trabalho de parto).


Aproveitando as horas de trabalho de parto (que podem ser muitas ou nem tanto...), para conferir o quartinho da bebê e dar os últimos retoques. ;)


Papai se despedindo antes de ir trabalhar. Sim, ele foi trabalhar tranquilo e na torcida, pois com contrações ainda irregulares sabemos que o trabalho de parto ainda vai demorar, não há motivo para alardes...Depois que as contrações ficam regulares (Ex.:de 3 em 3 minutos ) aí sim podemos oficializar o trabalho de parto, e decidir qual é o melhor momento de procurar o hospital! E lembrando que um trabalho de parto ativo pode durar de 8 à 12 horas ou mais, por isso quanto mais tempo puder ficar em casa melhor... 


É importante relaxar, aproveitar as ultimas horas de barrigão.

Até 13h47, eu já havia anotado 70 contrações, de muitas que ainda viriam!


A mulher em trabalho de parto tem o direito de viver esse momento plenamente, externar suas sensações, suas dores, emitir sons, falar, cantar, chorar...enfim deixar seu corpo conduzir todo o processo que é natural e perfeito. Isso não é sofrimento, essa é a sintonia que conduz ao nascimento. Toda mulher merece um parto respeitoso, merece ser auxiliada, compreendida, orientada, bem tratada, massageada, encorajada, acarinhada... E eu seguia zelando por tudo isso e vivendo intensamente cada minuto daquele trabalho de parto...


Já eram 16h30, e estávamos com 3 horas e meia de trabalho de parto ativo ( caracterizado por contrações regulares) , então a Nena seguindo o seu "já" instinto materno, achou que poderia ser um bom momento para irmos para o hospital. Conversamos a questão de ela permanecer calma e continuar correspondendo com o corpo mesmo estando em ambiente hospitalar. Precisávamos garantir que o belo trabalho que havia sido feito em casa até então teria sequencia e que nada atrapalharia o nosso foco.


Chegamos no hospital...e o tempo de espera antes de ser atendida significa oportunidade de caminhar mais um pouco. Quanto mais caminha, mais dilata!


Papai Pacheco sempre sereno e carinhoso curtindo todas as fases do Trabalho de Parto.


Pronta para ser examinada.


Esse é o cardiotoco, exame que faz a avaliação do bem estar fetal. 


E finalmente, a notícia mais esperada do TP: 10cm de dilatação!!! Com apenas 6 horas de trabalho de parto ativo, um enorme sorriso no rosto e dilatação total! Excelente trabalho Nena!!


Agora só resta aguardar enquanto o bebê desce no canal do parto.A bola ajuda a acelerar a rotação e a descida do bebê em períodos expulsivos longos que foi o caso dela. 


A chegada do Bebê se resume em esperar e esperar...o apoio do pai é fundamental neste momento tão íntimo do casal.


As intervenções médicas são indicadas apenas em caso de real necessidade, estourar a bolsa por exemplo é uma intervenção que em alguns casos específicos pode ser bem vinda. Como no caso da Nena, já a algumas horas com dilatação completa, só restava estourar a bolsa para que a neném descesse.

E então...


Ás 23h15, olha quem veio para o colo da mamãe...Abigail nasceu linda, rosadinha, com o mínimo de intervenção médica, de Parto Normal e chorando forte para avisar ao mundo que chegou! 




Agora sim a família está completa! Abigail que significa "RAZÃO DE ALEGRIA", veio trazendo muita felicidade para o papai e a mamãe!

É com muita emoção que finalizo esse relato de parto, grata por testemunhar das bençãos que o Senhor realizou através da fé desse casal. Realmente a presença de Deus era muito forte naquele dia, e como a palavra que trago em meu coração, eu sei: "a alegria do Senhor é a nossa força"!!
Nena e Pacheco vocês foram lindos em todo o tempo!
Felicidades à essa família abençoada!!


Eu sou Magridt Gollnick da Luz e esse é o Blog Mães no Reino. 
A reprodução deste conteúdo é permitida, desde que sejam mencionados os devidos créditos a autoria e fonte.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Direitos da Gestante (O.M.S)

Confira abaixo os dez Direitos da Gestante, promulgados pela Organização Mundial de Saúde. Se você estiver grávida, exerça-os, fazendo assim a sua parte para ter um parto do jeito que mais desejar!

” Receber informações sobre gravidez e escolher o parto que deseja.
” Conhecer os procedimentos rotineiros do parto.
” Não se submeter a tricotomia (raspagem dos pêlos) e a enema (lavagem intestinal), se não desejar.
” Recusar a indução do parto, feita apenas por conveniência do médico (sem que seja clinicamente necessária).
” Não se submeter à ruptura artificial da bolsa amniótica, procedimento que não se justifica cientificamente, podendo a gestante recusá-lo.
” Escolher a posição que mais lhe convier durante o trabalho de parto.
” Não se submeter à episiotomia (corte do períneo), que também não se justifica cientificamente, podendo a gestante recusá-la.
” Não se submeter a uma Cesárea, a menos que haja riscos para ela ou o bebê (o que pode ocorrer, estatisticamente, em torno de 20% dos casos, embora o índice de Cesáreas na rede hospitalar privada, no Brasil, esteja em torno de 80%).
” Começar a amamentar seu bebê sadio logo após o parto.
” A mãe pode exigir ficar junto com seu bebê recém-nascido sadio.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Tipos de Parto

Parto Domiciliar-Escolher o local do parto é um direito e uma opção da mulher e responsabilidade da família. Parir dessa forma é seguro e perfeitamente viável, quando a mulher sente em seu coração que este é o melhor caminho para ela e para seu bebê.
A família, reunida em seu próprio meio, vive junto uma experiência maravilhosa, que marca a existência e tece ligações entre seus membros para sempre. O parto em casa preenche de maneira particular as necessidades psicológicas e sociais. Permite a participação e a presença ativa do pai ou companheiro, não como mero espectador, mas como agente construtor do nascimento do seu filho. A liberdade que a casa proporciona ao casal durante o trabalho de parto e parto permite a ele reencontrar o verdadeiro sentido desse acontecimento e realizá-lo da forma que mais lhe convém.
Em casa tudo é planejado com antecedência e nos mínimos detalhes: o ambiente, o material necessário, a preparação conjunta da mulher, do companheiro, do bebê, do atendente e de outras pessoas do círculo de parentesco ou amizade que podem também estar envolvidas nesse processo.
A equipe tem consciência de que hoje em dia, por diversos fatores, nem todo parto é aconselhável acontecer em domicílio. Por isso, incentivamos um parto domiciliar seguro e assistido por profissional responsável que possa identificar situações de verdadeira urgência e que saiba lidar com as mesmas. O parto domiciliar respeita o corpo e os desejos da mulher. Resgatar a atmosfera acolhedora do lar – onde ela se sente confiante e a vontade – como facilitadora de um ótimo progresso do trabalho de parto.  Sabe-se que, quando a mulher se sente segura, desinibida e relaxada, os hormônios envolvidos no parto fluem melhor. Isto se traduz em segurança e saúde para mãe e o bebê.Partos domiciliares são indicados para gestações de baixo risco entre 37 e 42 semanas de gravidez, para os casais que desejam uma vivência plena, em ambiente tranqüilo, no momento do parto. Além disso, a gestante deve ter um acompanhamento pré-natal com profissional médico especializado.No parto domiciliar se tem um parto ativo, consciente, onde a mulher é quem escolhe a posição mais favorável para vivenciar o parto, caminha, fica de pé, se alimenta, descansa - tudo há seu tempo, porém com o acompanhamento de profissionais que garantirão a segurança da mãe e do bebê durante todo o trabalho de parto.

Parto Natural - Desde os anos 80, com a popularização das questões ecológicas, e com os movimentos de resgate de uma vida mais saudável, natural e espiritualizada, muitas mulheres passaram a optar pelo "Parto Natural", sem intervenções, sem anestesia e domiciliar em muitos casos. No entanto o termo "Parto Natural" muitas vezes tem sido utilizado como sinônimo de "Parto Vaginal", o que nem sempre é verdadeiro. Um parto vaginal com episiotomia, rompimento artificial da bolsa d'água, aceleração com soro, anestesia, raspagem dos pêlos, entre outras intervenções, não pode ser classificado com o nome de "Parto Natural".

Parto Normal Humanizado - A humanização do parto  significa o respeito à fisiologia do parto e à mulher.Humanizar o parto é dar liberdade às escolhas da mulher, prestar um atendimento focado em suas necessidades.  O profissional que atende o parto deve mostrar todas as opções que a mulher tem de escolha baseado na história do pré-natal e desenvolvimento fetal e acompanhar essas escolhas, intervindo o menos possível. Nesse tipo de parto a presença do marido/companheiro ou acompanhante se faz garantida. A gestante é estimulada e incentivada a se movimentar mais durante as contrações, podendo mudar de posição, e até escolher a posição mais adequada para dar a luz.  Porém, em ambiente hospitalar o parto humanizado não pode ultrapassar a barreira da rotina da instituição, ou seja, se a mulher pode até querer caminhar no trabalho de parto, mas, se não há espaço no centro obstétrico, dificilmente ela será incentivada a sair do setor para satisfazer sua vontade. O correto significado de parto humanizado deveria ser : "o atendimento centrado na mulher". Se a mulher vai escolher dar à luz de cócoras ou na água, quanto tempo ela vai querer ficar com o bebê no colo após seu nascimento, quem vai estar em sua companhia, se ela vai querer se alimentar e beber líquidos, todas essas decisões deverão ser tomadas por ela, protagonista de seu próprio parto e dona de seu corpo. São as decisões informadas e baseadas em evidências científicas.

Parto Vertical – Cócoras, Cócoras sustentada ou Sentada- Muito utilizado por índias e povos nativos de todo o mundo, esse tipo de parto acontece quando a mulher decide usar a força da gravidade a seu favor no momento do parto. A mulher fica na posição vertical, cócoras ou sentada, no momento da saída do bebê. Ela pode ficar de cócoras sozinha, apoiar na cama, numa cadeira, sustentada por uma ou duas pessoas (adotando a posição quase de pé). Também pode ficar sentada num lugar baixo, por exemplo, o banco de cócoras e ser sustentada, por trás, por outra pessoa que pode ser seu companheiro, mãe, amiga, que a segure pelas axilas.A posição de cócoras que permite uma maior abertura dos diâmetros internos da pelve, facilitando assim a descida e rotação da cabeça do bebê. É geralmente um parto mais rápido do que o parto na posição tradicional. A mulher não precisa fazer força para a saída do bebê, a própria força da gravidade favorece a descida do bebê. Onde havia liberdade para movimentação das mulheres, o "Parto de Cócoras" ganhou terreno, por ser mais rápido, mais cômodo para a mulher e mais saudável para o bebê, pois não se produzia mais a compressão de importantes vasos sanguíneos, o que acontece com a mulher deitada de costas. No Brasil o Dr. Moysés Paciornik estudou comunidades indígenas e resgatou o parto verticalizado. Criou com seu filho Dr. Cláudio Paciornik uma cadeira para ser usada em hospitais, que permitia várias posições para a mãe, sem comprometer o conforto do médico. Embora não haja necessidade de cadeiras especiais para que a mulher assuma essa posição, muitos profissionais afirmam que não fazem partos de cócoras porque no hospital não existe "a cadeira para parto de cócoras" à disposição. 

Posição Ajoelhada ou Genupeitoral- Na posição ajoelhada, basta a mãe ficar de joelhos e deixá-los separados. Nessa posição a mulher pode ver o nascimento de seu filho, além de segura-lo no momento do parto e trazê-lo direto para seu peito. Genupeitoral é a posição em Que a mulher fica em quatro apoios. É  muito indicada para aumentar o fluxo sanguíneo da mãe e do bebê, pois não comprime os grandes vasos que levam e trazem o sangue para a placenta, aumentando a oxigenação o bebê dentro da barriga e promovendo maior conforto para a mãe.

Parto na Água- Na França, na cidade de Pithiviers, Michel Odent, entre várias inovações dignas de mérito, começou a usar banheira com água quente para o conforto das parturientes. De lá para cá, o "Parto na Água" tem sido utilizado no mundo inteiro, em banheiras especiais ou improvisadas. Nas maternidades européias as banheiras são oferecidas às parturientes tanto para o alívio das dores do trabalho de parto, como para o parto em si. Estudos científicos comprovam que o uso da água quente no trabalho de parto é um excelente coadjuvante no combate à tensão e à dor. No Brasil pouquíssimas clínicas e médicos oferecem esse conforto às pacientes, infelizmente. A imersão na água pode acelerar o trabalho de parto, aumentar o controle materno sobre o ambiente do parto, resultar em menor traumatismo do períneo e menor necessidade de intervenções em geral e introduzir o bebê no mundo com suavidade. Para as mulheres que optarem em ter um parto dentro da água, o ideal é que a piscina ou banheira seja grande o bastante para permitir que a gestante adote qualquer posição e que seja funda o bastante para permitir a imersão completa. Não deve ser excessivamente grande, pois exigiria muito tempo para encher. A água deve ser constantemente controlada e conservada à temperatura do corpo. Ao entrar na piscina, muitas vezes a mulher dá um grande suspiro, expressando alívio e bem-estar. A mulher tende a romper contato com o mundo. O bebê nasce dentro d’água e deve ser trazido suavemente para a superfície, sem afobação e logo é colocado no colo da mãe. A saída da placenta deve ocorrer fora d’água, por isso mulher e o recém-nascido devem ser removidos para um local seco minutos após o nascimento.

Parto Sem Dor- O termo "Parto Sem Dor" tem várias conotações. Os métodos psicoprofiláticos desenvolvidos especialmente nos Estados Unidos propunham uma espécie de treinamento às gestantes, baseado em técnicas respiratórias, de relaxamento, de concentração, entre outas. A idéia geral é que uma mulher bem preparada para o parto e bem acompanhada durante todo o processo terá muito menos dor do que uma mulher assustada e tensa. A idéia faz sentido, mas convém lembrar que a dor do parto continua existindo, agora sem o sofrimento causado por medo e tensão. Os métodos mais conhecidos são Bradley, Lamaze e Hipnobirth. No Brasil "Parto Sem Dor" é comumente confundido com parto sob anestesia. Obviamente a anestesia bloqueia a dor, mas também diminui as sensações das pernas e do assoalho pélvico. Essas sensações são responsáveis pela força que a mulher faz na hora de "empurrar" o bebê para fora. Portanto, embora haja o bloqueio a dor, alguns efeitos indesejáveis como a perda do controle sobre o processo do parto, entre outros, podem ocorrer. Em muitos serviços médicos a anestesia é aplicada no final do trabalho de parto, já no período expulsivo, de modo que o período de dilatação não se passa sob efeito das drogas anestésicas. De qualquer modo, as formas naturais de se lidar com a dor deveriam ser largamente oferecidos e utilizados antes de serem aplicados os métodos farmacológicos de bloqueio da dor.
A cesariana não foi citada porque Cesárea não é parto, é cirurgia.
                                                                                                 
FONTE: amigas do parto, hanami

sábado, 3 de setembro de 2011

Cesárea


                            

Nem uma folha cai sem que seja da vontade de Deus, e foi vontade de Deus inspirar a medicina a criar essa operação cesariana para salvar vidas. A medicina é uma benção e Deus usa as mãos dos médicos. Apesar do nascimento ser algo natural e fisiológico, existe uma minoria de casos onde pode haver um risco de vida para mãe e bebê, e é aí que entra a intervenção médica na forma da cesariana.
Vamos descobrir porque existe e para que serve a cesariana?

A cesárea é uma cirurgia de grande porte, onde corta-se 7 camadas da barriga. É uma tecnologia criada originalmente para ser usada somente quando houver risco de vida para o bebê ou para a mãe. A cesárea é uma operação criada para salvar vidas em risco. Acontece que muitas cesarianas realizadas em todo o mundo são desnecessárias.
A cesariana provoca sempre um trauma no organismo da mulher, maior que o causado por um parto normal. O abdômen foi cortado, a musculatura foi afastada de seu lugar e a cavidade abdominal invadida. Tudo isso provoca acúmulo de gases, dores, menor movimentação intestinal e uma recuperação pós-parto mais lenta. Outro risco da cesariana é interromper uma gravidez que ainda não chegou ao fim. O que é criticado pelo Conselho Federal de Medicina não é cesariana em si, mas a sua prática desnecessária. Esse tipo de cirurgia deve ser usado apenas para salvar vidas!
De acordo com a OMS, a taxa ideal de partos cesáreos deve ficar em torno de 7 a 10%, não ultrapassando 15%. Entretanto, nos últimos 37 anos testemunhamos uma "epidemia mundial" de cesarianas. Na Holanda, essa proporção é de 14%, nos Estados Unidos 26%, no México 34% e no Chile 40%. Isso ocorre em parte porque a cesariana passou a ser aceita culturalmente como um modo normal de dar à luz um bebê. As repercussões desse comportamento são bastante sérias e, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), as cesáreas acarretam quatro vezes mais risco de infecção pós-parto, três vezes mais risco de mortalidade e morbidade materna, aumento dos riscos de prematuridade e mortalidade neonatal, recuperação mais difícil da mãe, maior período de separação entre mãe/bebê com retardo do início da amamentação e elevação de gastos para o sistema de saúde.

Referência:
º Wikimedia Commons


Segue informações importantes sobre parto cesárea:

Motivos reais para um parto cesária. Quando a cesárea é imprescindível e deve ser agendada?
- Se a mãe tem herpes genital, com uma lesão ativa até um mês antes do parto. É possível prevenir as lesões com medicamentos durante a gravidez.
- Quando a placenta cobre o colo do útero, impedindo a saída do bebê, o que é chamado de placenta prévia. O diagnóstico só pode ser feito na 30a semana e a cirurgia é agendada antes de o trabalho de parto ter início, para não haver risco de sangramento.
- Em alguns casos raros de doenças cardíacas.
- Se o bebê está atravessado. Mas, antes, o médico pode tentar ajudá-lo a ficar na posição correta.
- Caso a mãe tenha aids e a carga viral for alta ou desconhecida.

Casos para estudar em conjunto com o médico
- Se o bebê estiver sentado e a mulher já tiver feito parto normal antes.
- Quando foram feitas duas ou mais cesáreas anteriores.
- Caso a mulher apresente defeitos na bacia.
- Se a criança está frágil demais, ou seja, se há retardo do crescimento.
- No caso de o trabalho de parto parar de progredir. Mesmo assim, há recursos para estimular a continuidade, como um hormônio chamado ocitocina.
- Se há alteração na circulação do sangue entre mãe e bebê.
- Pressão alta na gravidez (acima de 13 por 9).

Quando se descobre a necessidade de uma cesárea depois de iniciado o trabalho de parto?
- Em casos de descolamento prematuro da placenta.
- Quando a cabeça do bebê é grande demais para a abertura da pelve da mãe, o que só é diagnosticado após todo o processo de dilatação se completar (10 centímetros). "Muitas mães com bebês até 4 quilos têm bacias que conseguem dar-lhes passagem", diz a obstetra Andrea Campos. "A desproporção acontece em menos de 5% dos casos."
- Em casos de prolapso de cordão, quando ele penetra no canal de parto antes do bebê.
- Se há sofrimento fetal agudo (o bebê tem redução drástica no fluxo de oxigênio
ou nos batimentos cardíacos). Acontece apenas em torno de 1% dos casos.

Quais os casos que são só desculpa para cesária?
- Falta de dilatação. Pode ocorrer por um distúrbio raro no colo do útero, mas, na maioria das vezes, se não dilatou, é porque não chegou a hora.
- Quando a mulher tem mais de 35 anos e é seu primeiro filho ou é adolescente.
- Se a mulher teve uma cesárea anterior.
- Trabalho de parto demorado. As contrações podem durar dias, mas só com mais de 3 centímetros de dilatação caracteriza-se trabalho de parto. O que leva de 8 a 18 horas.
- Bacia estreita (em geral, a mulher já descobriu a alteração antes de engravidar).
-Bebê muito grande. Só são considerados grandes demais os bebês com mais de 4,5 quilos.
-A mulher tem verrugas genitais, mioma ou HPV (a não ser que obstruam a passagem do bebê).

Fonte: www.e-familynet.com




Dra Melania Amorim lista mais algumas das mais frequentes desculpas para se fazer cesareas 


1. Cordao enrolado no pescoco do bebe ou circular de cordão, uma, duas ou três “voltas” (campeoníssima – essa conta com a cumplicidade dos ultra-sonografistas e o diagnóstico do número de voltas é absolutamente nebuloso)
2. Pressão alta 
3. Pressão baixa
4. Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto
5. Diagnóstico de desproporção céfalo-pélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto; Desproporção céfalo-pélvica sem trabalho de parto – já dizia Barbour que o melhor pelvímetro é a cabeça fetal. Distocia (do grego dis=difícil, tokos=parto) significa, literalmente, parto difícil. As distocias, por definição e semântica, só podem ser identificadas durante o trabalho de parto.
6. Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe); Se o trabalho de parto não se desencadeia e se opta por indução (não vou discutir o tempo porque é outra polêmica), e esta não tem sucesso ou ocorre qualquer indicação de cesárea durante o trabalho de parto, a indicação não é a bolsa rota, e sim a intercorrência obstétrica ou a falha de indução.

7. “Passou do tempo” - Diagnóstico bastante impreciso que envolve aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas); Continuo insistindo que andam abusando desse diagnóstico. Tenho vários relatos de caso de cesáreas marcadas em pacientes com 40 semanas por esse motivo. Mas, independente, se a indução falha após 41 ou 42 semanas (aliás, que raio de indução é essa que falha tanto?), a indicação da cesárea NÃO é gestação prolongada, e sim falha de indução.
8. “Trabalho de parto prematuro” – o prematuro em apresentação pélvica realmente irá se beneficiar com a operação cesariana (menor risco de tocotraumatismos). O parto vaginal é perfeitamente possível, e até beneficia os prematuros em apresentação cefálica, com todos os cuidados, claro, o mínimo de intervenções, não romper a bolsa etc. A incidência de desconforto respiratório é maior em bebês nascidos de cesárea.
9. Grumos no líquido amniótico
10. Hemorróidas
11. HPV - Condilomas obstruindo o canal de parto – realmente se existirem SÃO indicação de cesárea, mas são raríssimos, e quando eu cito o HPV é porque estão indicando cesárea mesmo sem condiloma.
12. Placenta grau III
13. Qualquer grau de placenta
14. Incisura nas artérias uterinas (aliás, pra quê Doppler em uma gravidez normal?)
15. Aceleração dos batimentos fetais
16. Cálculo renal
17. Dorso à direita
18. Baixa estatura materna
19. Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso
20. Obesidade materna
21. Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come)
22. “Bebês grandes demais” – macrossomia, de acordo com a literatura, só é indicação para cesárea em recém-nascidos com mais de 4.500g FILHOS DE MÃES DIABÉTICAS. Macrossômicos constitucionais não têm risco aumentado de distocia de ombro.
23. Bebê “pequeno demais”
24. Cesárea anterior – as chances de um parto vaginal variam entre 60% e 85%, de acordo com a literatura. Não é per se indicação para cesárea. Flamm descreveu uma taxa de 70% de sucesso de parto vaginal em pacientes com duas cesáreas anteriores. Os trabalhos mais recentes têm clamado por mais cautela com a "prova de trabalho de parto", mas o risco absoluto de ruptura uterina é muito baixo (Guise et al., 2005).
25. Plaquetas baixas
26. Chlamydia, mycoplasma, ureaplasma, e aproveitando a ocasião, Streptococcus b-haemolyticus do grupo B NÃO são indicação de cesárea.
27. Problemas oftalmológicos, incluindo miopia e descolamento da retina
28. Edema de membros inferiores/edema generalizado
29. “Falta de dilatação” antes do trabalho de parto
30. Gravidez super-desejada (motivo pelo qual os bebês de proveta aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal)
31. Gravidez não desejada
32. Idade materna “avançada” (limites bastante variáveis, pelo que tenho observado, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos)
33. Adolescência
34. Prolapso de valva mitral
35. Cardiopatia (o melhor parto para as cardiopatas é o vaginal)
36. Diabetes - Pode ser motivo para interrupção da gravidez, realmente, mas não para a cesárea. A indicação da cesárea será obstétrica (falha da indução, contra-indicações ao parto vaginal etc.).
37. Bacia “muito estreita” 
38. Mioma uterino
39. Parto “prolongado” ou período expulsivo “prolongado” (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra)
40. “Pouco líquido”
41. Artéria umbilical única
42. Ameaça de chuva/temporal na cidade
43. Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência no Rio de Janeiro
44. Fratura de cóccix em algum momento da vida Fratura no cóccix
45. Conização prévia do colo uterino
46. Eletrocauterização prévia do colo uterino - Se por acaso tiver ocorrido estenose cervical que impeça a dilatação, esta só poderá ser diagnosticada durante o trabalho de parto, o simples antecedente de eletrocauterização não pode indicar a cesárea.
47. Varizes na vagina
48. Constipação (prisão de ventre)
49. Excesso de líquido amniótico
50. Anemia
51. Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas
52. Toxoplasmose.

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