Relato de Parto do Matheo (parte l)



O início de minha história como mãe

Bem, estávamos casados havia três anos e não tínhamos planos de ter filhos. Afinal de contas, eu tinha dois cachorrinhos Lhasa Apso, e eles supriam meu instinto materno. Eu os considerava como “meus filhos” e cuidava deles como tal.

Hoje vejo que sempre tive um forte instinto materno. Lembro do cuidado que tinha, desde muito cedo, com minhas irmãs mais novas. Lembro também de anos depois, quando cuidei de alguns grupos na igreja — crianças, jovens, teatro... Eu realmente queria cuidar de cada vida ali.

Reconheço nisso um instinto maternal. Nasci para ser mãe e ainda não sabia!

Mas, voltando aos meus doces cachorrinhos... eu realmente achava que a melhor coisa do mundo era ter cachorros em vez de crianças! Na minha cabeça, as vantagens eram muitas: não precisava trocar fraldas, eles não choravam, obedeciam e eu podia sair de casa e deixá-los sozinhos durante o dia ou a noite toda.

Um belo dia, pela primeira vez em nosso casamento, alguém tocou no assunto de filhos e disse que nos “via com dois filhos”. Era um pastor, e aquilo, de certa forma, mexeu muito com a gente.

A partir daí, senti-me tocada pelo Senhor e abri meu coração para essa possibilidade. Começou a ser gerado dentro de mim o desejo de colaborar com os planos de Deus para minha vida.

Alguns meses depois, descobri que estava grávida!

Foi uma gestação não apenas do meu primeiro filho, mas também de muitos novos princípios que o Senhor estava gerando dentro de mim, forjando-me para uma causa que eu levaria dali em diante.

Eu estava tomando como “bandeira” a questão da maternidade bíblica, que, na minha compreensão, estava tão banalizada naquele tempo, e também passei a enxergar a maternidade como um ministério dado por Deus.

Essas são causas que jamais haviam passado pela minha cabeça antes. Mas, naquele tempo, comecei a perceber o cumprimento, em minha própria vida, da palavra de Malaquias 4:6 sobre “converter o coração dos pais aos filhos”.

Eu entendia essa palavra como uma promessa para os últimos tempos e via sinais dela acontecendo ao meu redor: pais voltando o coração para seus filhos.

Via também um aspecto dessa conversão na questão da humanização dos partos, para que os pais tivessem o direito de viver o nascimento de seus filhos da maneira mais natural possível. Nisso, eu enxergava claramente uma expressão dessa “conversão do coração dos pais aos filhos”.

Via essa palavra se cumprindo também no fato de tantas doulas estarem se levantando. Olhando por uma ótica profética, eu entendia que o ofício delas também podia contribuir para essa volta do coração dos pais aos filhos.

Palavras de Deus para os últimos tempos se cumprem para preparar o caminho do Senhor.

Mães, pais, profissionais da saúde, da educação, sacerdotes, doulas... Somos ainda uma voz fraquinha que clama no deserto, mas tenho certeza de que, assim como João Batista, atrairemos multidões...

Vamos continuar a história:

Em março de 2007, Mikhael nasceu, em um parto lindo. 

Quando ele completou um ano, senti o desejo de tentar o segundo baby.

Passados três meses, acordei certa madrugada com uma forte hemorragia. Eu estava na expectativa de engravidar; minha menstruação já estava atrasada havia algum tempo, mas eu ainda não tinha feito nenhum teste de gravidez.

Na hora, eu soube... estava abortando!

Fui para o pronto-socorro e os médicos constataram: aborto espontâneo.

Foi muito difícil estar perdendo um bebê. Passei muito mal, em todos os sentidos.

Apesar de tudo, agradeci a Deus por, de alguma maneira, ter me guardado de fazer o teste de gravidez antes. Ele sabia que eu ficaria imensamente feliz com a notícia e teria comunicado ao “mundo inteiro”. Sofrer um aborto depois de criar expectativas seria um golpe forte demais para mim.

Deus permitiu que acontecesse de uma maneira que, naquele momento, foi menos traumática para mim: eu não sabia que havia um bebê e, portanto, não tinha tido tempo de criar aquele vínculo emocional com a gravidez.

Dias depois, uma irmã de ministério nos contou ter tido um sonho muito intenso comigo e com o Michel. No sonho, estávamos tristes. Então, Deus vinha e nos falava para ficarmos felizes, pois o bebê estava com Ele.

Depois disso, soubemos que, anos antes, nossa intercessora havia sonhado que, em 2008, nasceriam doze bebês no ministério Casa de Davi.

Nasceram onze... só faltou o nosso!

Não busco mistificar essas experiências das irmãs. Mas, de alguma forma, elas foram muito importantes e trouxeram conforto para nós naquele momento.

Enfim, Deus sabe de todas as coisas. E, com tudo isso, pude me conformar e me sentir honrada por Deus ter permitido que meu filho estivesse entre aqueles que já estavam com Ele.

Tenho um filho no céu!

O tempo passou, e eu sabia em meu coração que seríamos pais de dois filhos aqui na Terra.

Pequenas coisas que aconteciam tornavam essa certeza ainda mais forte. Antes mesmo de Mikhael completar um ano, outras pessoas também tiveram sonhos em que nos viam com um bebezinho recém-nascido, enquanto Mikhael já estava na fase dos dois aninhos.

Então eu me confortava pensando que esse bebê com quem as pessoas estavam sonhando não poderia ser aquele que eu havia perdido, pois Mikhael ainda teria apenas um ano quando ele nascesse.

Mais tarde, esses sonhos se cumpriram: Matheo nasceu quando Mikhael tinha dois anos e sete meses.

Aleluia!!!

Fiquei na expectativa do que Deus faria.

E, em janeiro de 2009, engravidei!



Continua...

Comentários

  1. Lindo Máaaaaaaaa... to amanado ler a sua história....

    bjsss

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