“Quando Deus converte o coração aos filhos”.
Sou o tipo de pessoa “de fases”. Vivo inventando alguma coisa, criando novos projetos e colocando neles toda a minha energia. Nunca sei por quanto tempo permanecerei interessada pela mesma coisa, porque estou sempre mudando o foco, descobrindo novos interesses e tentando suprir as necessidades que surgem ao meu redor.
Sempre fui assim: inquieta, cheia de ideias, gostando de começar coisas novas e de me envolver com aquilo que desperta minha atenção. Por isso, olhando para a minha própria personalidade, às vezes até me pergunto como alguém tão desprendida e, de certa forma, individualista poderia se tornar uma boa mãe.
Foi então que uma palavra de Deus ganhou um significado muito especial para mim:
“Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais.”
**Malaquias 4:6**
Em uma sociedade em que tantos pais já não encontram tempo para estar verdadeiramente presentes na vida dos filhos, eu sabia que precisaria lutar contra aquilo que era natural em mim. Se eu simplesmente seguisse meus próprios interesses, seria muito fácil continuar correndo atrás de novos projetos, novas ideias e novas ocupações, deixando para depois aquilo que exigia de mim presença, dedicação e tempo.
A maternidade me chamou para um lugar diferente. Eu comecei a compreender que seguir a Deus também significava estar disposta a abrir mão de alguns dos meus próprios interesses, projetos e planos para abraçar aquilo que eu entendia ser o propósito dEle para aquela fase da minha vida. E, para alguém tão cheia de ideias, projetos e interesses como eu, aprender a colocar o coração e o tempo nos meus filhos também era uma forma de renúncia e de entrega a Deus.
Compreender a vontade de Deus para essa área da minha vida me fez perceber que eu não poderia viver apenas segundo a minha própria natureza. Meus filhos precisavam de uma mãe presente, disponível e disposta a colocar o coração neles. E, de certa maneira, Deus estava usando a maternidade para transformar também o meu próprio coração.
Essa palavra de Malaquias passou a representar para mim muito mais do que uma frase bonita. Ela expressava o desejo de Deus de que os corações dentro de uma família estivessem voltados uns para os outros: pais para filhos e filhos para pais.
É assim que uma família vai construindo suas bases: com amor, presença, dedicação e disposição para olhar para o outro, e não apenas para si mesmo.
E talvez essa seja uma das maiores transformações que a maternidade trouxe para mim. Eu, que sempre fui tão cheia de interesses e projetos, precisei aprender que nem todo desejo precisa ser seguido imediatamente, que nem toda ideia precisa se transformar em um projeto e que existem pessoas que merecem receber de mim aquilo que nenhuma outra atividade poderia substituir: meu tempo, minha atenção e meu coração.
Malaquias 4:6 continua sendo, para mim, uma lembrança dessa verdade: Deus deseja corações voltados para dentro de casa, para aqueles que Ele colocou tão perto de nós.
E foi justamente nesse processo de voltar o meu coração para os meus filhos que também fui sendo transformada.



Parabéns, em 27 de maio de 2023 esta postagem edificou uma vida.
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